Odes ao "ANJO" Simon Wiesenthal ou, ao caçador de vampiros nazistas
By RavDellova - Posted on December 4th, 2007
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do Ms. J. Pietro B. Nardella Dellova
ELOÍ, ELOÍ, LAMÁ SABACTÂNI !!!
(clamor de Davide (em Salmos) e de Yeshua (em Marcos). E Provavelmente, de 6 milhões de judeus (na Europa nazi-fascista)
א
Ninguém sabe dos meus olhos,
Por que plagas andam a olhar,
E matas, e serras a procurar;
Ninguém sabe por que céus vagueiam
Na busca da Estrela e seu brilho...
Ninguém pensa por que profundidades eles descem,
Às vezes, na ânsia desesperada,
E por que alturas, soltos e leves, se deixam errantes
E parecendo até sem rumos;
Por onde andam os meus olhos?
Por que formas se deixam levar à tortura,
Por que cores e cheiros se perdem
Na esguelha pretensiosa e sono demorado?
Estes olhos, eu os desconheço!
E mesmo cansado tantas vezes amanheço
E ei-los abertos na escuridão
Buscando vozes e sentindo perfumes
Que se desprendem em quaisquer passos
Das almas que invadem a noite e os pensamentos!
Quero chorar em qualquer instante
E derramar este choro bastante
Ainda que pareça estranho aos que virem,
Deixarei estas fontes se abrirem
E a alma estará sobre a forma,
Livre dos homens, e de tudo, e da norma,
E não esconderei, com vergonha, o vermelho
Dos olhos nem procurarei espelhos
Para recompor a aparência da face...
Deixar-me-ei quieto até que passe
Este momento de triunfo e graça
E depois prenderei às mãos esta taça
Para brindar ao choro inconseqüente
E livre chorar novamente...
Passo a noite que passa...
Nas entranhas passa e fala:
- ó homem que no chão se senta e cala,
Não é de vinho mas de fel a taça!
E pensativo, e com pernas cruzadas,
E mãos sob o queixo, e olhos parados
No nada da madrugada, implexados
Sob o manto da escuridão despreocupada
E a noite que passa...
(não há lamento que supere)
(não há brado que sobre a noite impere)
E chega a madrugada, e vai a madrugada,
E nem mesmo assim algo muda
E continua muda a muda madrugada...
Que é o coração de um homem
Machucado, em desencanto, perdido
Nas sombras da saudade do dia ido
E agonizado por paixões que somem?
Achado no desprezo divino pela loucura,
Vertendo últimos respingos de esperança,
Tendo apenas desejo e longe a bonança,
Morando no abismo de sua interna ruptura
E entregue por si mesmo ao desespero
Atroz, jorrando do lacero espírito
O sangue do delírio (seu companheiro)
Que é o coração de um homem
Esquecido pelo próprio pensamento?
(basta-lhe a morte como bom momento...)
Atrás ficou algo perdido,
Remotamente abandonado,
E escapou à vivência, e à infância,
Escorregou das mãos, e do tempo...
Atrás ficou o meio sorriso
E a lágrima contida,
O frouxo abraço, o muro!
O muro edificado na passagem:
(o fim do caminho)
Atrás se misturou
O riso á tristeza,
A loucura ao senso,
Impregnou-se de fé a carne
E de medo a coragem...
Atrás invadiu a criança
A conduta do homem
E tudo ficou dividido
Ao meio, inacabado...
Hoje, a falta de um beijo,
E a falta do braço, o cansaço
Do hoje:
Angústia que não pára!
E se não beijar,
E se não abraçar,
E se não viver
Estes instantes imediatos
Espera-me a morte!
Estou só num labor sem fim
Onde exatamente os mundos se distanciam
E não há deste, os sonhos das vidas
Que amo, nem daquele a vitória do espírito...
É uma sensação de estranho silêncio
E de aperto na alma, e de falta de riso;
Uma sensação de lágrimas incontidas
Que arrebentam no peito aos olhos fitos
No algo de um ponto qualquer no ar,
É um êxtase nas linhas da razão;
Um arrebatamento ao vazio, ao nada!
Estou só numa luta sem fim,
Estou assim, assentado em qualquer canto
Buscando forças para não desaparecer...
ב
Se algum instante se perder
Na mecanização da existência,
Será esquecido no pó que passa
E inútil aos sentimentos vários,
Porém, se vivemos amargosamente
Ou com encanto intenso os instantes
Que se nos chegam na cavalgada
Da vida, e saboreamos com vida,
Acontecerá que plenas lembranças
Verterão das entranhas indecisas
Pelos instantes intensamente idos
E nos farão entender lágrimas,
E cantos, e poesias, e estrelas,
E serão novos intensos instantes.
Temo destruir-me na vereda humana
E extinguirem-se as forças humanas,
Por ser longa e interminável, e poucas,
Até chegar á escrivaninha e aos livros.
Há uma constante resistência em mim:
Um apelo, um grito: o silêncio e a alma,
E, parece-me, por vezes, serem humanos
Os punhos que sustentam esta guerra
Contra os ataques da sociedade fria
Que diuturnamente mata e perde os grandes
Seres, (que não morrem em verdade, jamais)
Contudo, rasgam-se no rosto as marcas
No pesadelo das noites que se formam
Nos dias inteiros da minha meninice.
ג
Imaginem que absurdo:
Ainda há déspotas sonhando,
E ainda há injustiças sociais,
E ainda há ignorância,
E ainda há fome, e sede, e peste
E loucura!
E os homens se devoram, ainda...
Não nos foi fácil clamar de todo jeito
E com peito marcado, agarrados, ir às praças,
Meios às desgraças, não mais querendo...
Vendo corruptos tiranos vencerem
Sem receberem no inferno a condenação
Pela infâmia do século que passa.
Senhor,
Mata-me de uma vez
Em vez de alquebrado
(quebrado e trôpego)
Chegar àqueles podres corredores,
E não permita, Senhor
Estávamos vagando sem rumo certo
Sonhando com as brisas da liberdade
Sem podermos falar de Direito e Verdade
E por isso sentindo a morte perto...
São caminhos da nossa diáspora que não termina:
-o choro, o lamento, a súplica da vida...
O resmungo da caridade perdida:
As nossas crianças desprezadas, e nada germina...
É o escarro nazista na nossa face
Á negação, ao esmagamento, à destruição:
São os séculos obscuros e a maldição
De ser judeu –humano- que nasce...
(Ó meu D’us, que fedor!)
Matem-nos, pisem-nos, destruam-nos,
Ó ínfimos e miseráveis insanos,
Às centenas, aos milhares, aos milhões,
Porque riremos ante o atroz cetro:
Pularemos! Cantaremos! Gritaremos!
E invocaremos Purim! E comeremos o Pessach!
E nos completaremos no Shavuot!
E ouviremos muitas vezes mais o gemido do Shofar...
...é a força do direito à vida,
O universo da liberdade em nós,
É o testemunho dos séculos idos:
Da resistência, da garra, da luta!
Enforquem os nossos jovens,
Prendam os nossos rabinos:
Eis o porquê da energia nossa!
Façam, escarrem, esmurrem-nos!
Jamais, contudo, atingirão a alma...
Jamais consumirão o espírito vivo
Deste singular Povo!
Vós, Alemanhas nazistas militares,
Retratais a malignidade dos homens
Satânicos, e destratais os princípios
Do amor e de humanidade...
Vós, Alemanhas nazistas militares,
Praticais violência contra a liberdade
Dos seres e sentimentos: como chacais não entendeis
Que D’us, só Um Existe,e vos destruirá com veemência!
Vós, Alemanhas nazistas militares,
Amais o poder que a todos destrói
Sem piedade, e não encarais a realidade:
Vossas palavras chegam a feder!
Vós, Alemanhas nazistas militares
Matais jovens e inocentes, e com vulgar
Imposição, acabais com a essência
De tudo que é belo... Loucos! Dementes!
Vós, Alemanhas nazistas militares,
Apodreceis na ideologia dos demônios
Humanos, e verteis das vossas entranhas
O desejo de ver o sangue e a orgia...
Vós, Alemanhas nazistas militares,
Fazeis dos poetas eternos lamentadores
De toda época, e tereis ante os vossos olhos,
Mesmo em face da morte, a sentença dos infernos!
Vós, Alemanhas nazistas militares,
Ficais à espreita em todos os países,
Até nos supostos democráticos, e ordenais
Levando outros à sepultura, p’rá vós feita!
Vós, Alemanhas nazistas militares,
Estareis em todos os lugares da Terra
Entenebrecida, e continuareis a ter em vós,
Sempre, o fedor dos cadáveres abandonados...
Se for de Mengele a podre ossada
Que estava no descanso do Embu
Desfrutando do silêncio dos mortos,
Então, não houve pena a você...
E se for o corpo que boiava, inerte,
Nas águas do Canal de Bertioga
Sem que soubessem tentaram salvar,
Então, não houve morte à você...
Nada importa, víbora peçonhenta!
Se não houve pena à sua carne nojenta
E se não houve morte ao seu corpo infame:
Está no abismo, na treva, demônio!
Onde quisera mandar pessoas, outrora,
Está queimando diuturnamente sem paz!
Não há fuga... não há fuga jamais...
Tranqüilamente o abraço da morte
Fria, envolvendo todos os gritos surdos
Estacando todas as veias inchadas,
E todo sangue sem volta gelando
Na asfixia sem pena nem remorso,
Tirando dos olhos o pudor da paisagem
E os pensamentos a sentença da lembrança
Num breve momento do fim dos sonhos bons,
E alegrias, e desventuras, e prudência,
E fraqueza, e força, e bondade, e aspereza...
É a sobra da sombra espessa, a treva, o fogo,
O abismo sem formas nem tamanhos:
É a cola asfáltica do inferno!
ד
Estou aqui pensando na algema
Que cada ser humano arrasta
E nas prisões que o prendem
Frias, e solitárias, e sujas,
E matam, e destroem o humano
E entregam à cela o ser que chora...
Estou aqui pensando nestas algemas
A que se entregam os seres livres
Para morrerem em si mesmos amiúde
E jamais tornarem à essência
De qualquer forma a que se atrevem
Num minuto de liberdade...
Estou aqui pensando com algemas
Por que o ser de cada um
E o humano de todos nós
Desaparecem constantemente
E nos tornam meros escravos
De algemas que se arrastam sem fim...
O homem que respira os livres ares
Não deve inclinar-se à imperiosidade
Nem vender-se medroso na integridade
Física e moral às coisas vulgares...
(e tudo será sempre pequeno demais)
Pois nasce livre e despido de obrigações
E livre dos homens de todas as nações
Quando por si descobre as luzes naturais,
Desprende-se da umbilical corrente
E torna-se solto para a sua liberdade,
E só cresce, e se olha, e se sente,
Não precisando se fazer desaparecido
Aos déspotas e trair sua personalidade
Mas, contrapor-se com o poder de D’us enfurecido!
ה
No peito, ainda, tanta amargura mora
E este peito esta amargura devora
Que se faz estranho no banho
De tristeza,
E que se faz na certeza
De choros continuados
(magoados peitos no peito retidos)
E escravos do gemido que não finda
No peito
(ainda tanta amargura mora)
E este peito esta amargura devora.
Vós que chorais nos dias frios
E chorais, beira lago, nas noites quentes,
Continuareis por muito a chorar
Aos receberdes os restos mortos da humanidade.
Tereis convosco a eterna lembrança
Aspergida na sombra que fizerdes
Pra vos fortificar os arbustos
Como os meus arbustos, em vida, fortificou...
Na quietude da água que vos cerca
Algum chazam desvairado estará cantando
Os desvarios da sua dor calada,
E essa grandeza na ambigüidade,
Em vida jamais possível, vereis,
Eternizada na solidão dos vossos ramos.
Guiado pela mão estranha
E por caminhos tantos desviado,
E querido, às vezes, e odiado
Por amores tamanhos
E paixões desgovernadas...
Criando pesadelos
E criando sonhos
E criando demônios,
ATORmentado
De uma peça antiga:
A Humana Raça
Com seus pesos e máscaras,
Seus delírios e crenças:
Com sua alma dimensionada
E sua hipocrisia...
Habito a noite
E o ar que abriga
Porque não tem açoite,
Não tem fuga nem briga,
Ninguém resmunga!
Habito a noite
E o mar calma na imensidão
Porque não há fantasmas
Nem milagres...
Não há medo
Nem desespero,
E porque não há fome nem sede:
Porque vejo estrelas como a areia do mar!
Campos, campinas verdes e únicas
Na túnica da aparência despreza
A formiga pequenina que abriga
A simplicidade da natureza
A rudeza
Em que há poesia...
Mendigos, amigos da treva espessa
E humana, a insana moral dos que passam
Dos que cassam
A vida, ferida de grades,
E caçam estrelas:
Entretê-las aos olhos
Ocultando abrolhos encravados aos pés...
Não há poesia no vinco
No brinco que brilha
Na ilha iluminada
Das passarelas
Que amarelas e cansadas
De bocas vermelhas: mulheres mal-amadas...
Não há poesia no costume, de botões
Enfeitado, no rosto rapado,
No mosto importado,
Na cera aos pés: uniformes sem divisas,
Nem poesia nas estantes letárgicas
Nas obras mágicas com dobras empoadas
De sonhos e fadas, na fachada das casas,
Nas asas do vento,
Do branco cimento que pesa enfim...
Há poesia chorosa e intensa
Na gueto (aquarela viva)
Na barriga vazia de crianças
Sem crença
De gente que não pensa
Que fede
Que pede e mente
E procria aos ratos nos barracos
Sem espelhos
Sem vermelhos
Nem brincos alegres
Sem vinco
Na treva do esgoto aos pés...
Há poesia nas fábricas
Ricas
Na multidão que é sua
Na multidão que sua
E azeda nas filas, acotovela
E masturba
Perturba na tinta
Urbana morada...
Ah, menino...
Como cantar o hino poético
O estético
E matar aos olhos a visão densa
De crianças coladas á lata
Esfoladas á cata de restos
Nos infestos cantos
De portas fechadas
De mortas poesias?
Como cantar a alegria de um Shabat
Se o pranto das almas pedintes
Encobre o tenor no nosso palco?
Campo minado
Calado e frio, e rio,
Quando piso,
O riso irônico dos que vencem...
Céu nublado
Calado feito mortalha
Sobre a escura talha
Em que se jogam os restos
Infestos de mortos então,
Em que o aro respiro
E me atiro
Sem tosse nem aflição, e rio
O riso sarcástico dos que pensam...
Mar petrificado
Riscado de densas águas
Em que deságua o óleo fétido
E engole a mansidão azul
Dos restos de seres vivos, e uivo,
O uivo dos que vivem...
Vejo homem caminhando
Não sei para onde
Não vejo homem sonhando
Homem pintando
Vejo homem cedendo
Homem fedendo
Não vejo homem amando
Homem cantando
Vejo homem morrendo...
Pintado
Sonhado
Amado
Não vejo homem cantando
Homem chorado...
Vejo homem traindo
Homem fingindo
Indo
Não sei para onde...
Não vejo homem apenas homem
Homem homem
Homem!
Vejo homem não homem
Homem desalmado
Homem armado!
ו
Transporto-me do passado
Trago as mãos repletas
E todo desencanto,
Trago lábios trêmulos
Rachados
Frio terreno
Umidade de beijos libertos...
Arrasto esta vida triste
Esta vida feliz
E este grito
E este silêncio...
Banham-me a lágrima triste
A lágrima feliz...
Busco-me do passado
Caminhando trôpego (às vezes)
Caminhando na firmeza de campeões
Que abandonaram o passado,
Atravessaram desertos tantos,
Outeiros, ,florestas
E mares...
Passaram pelos tempos e vidas
Apenas
Buscando sempre o infinito...
Quero tocar a alma aflita,
Enleva-la na essência do infinito,
Quero ouvir o surdo grito
E perguntar-lhe: por que grita?
Abrindo todos estes espaços fechados
Enquanto os muros se fendem...
Ajudar os pequenos seres que se rendem
E dizer-lhes: já não são mal-amados!
Quero, Adonai, eu quero desesperadamente,
Ungir o corpo enfermo, sem cura,
E num toque apenas, simples e de repente,
Fazer curar-se o que jaz na loucura,
O que já no mal, triste e carcomido,
E dizer-lhe caminhe: alegre e remido!
Estou insatisfeito com esta sociedade:
Ela me faz triste homem
Que chora
E me faz o que na vaga
Descompassado tropeça
E arrebata dos meus olhos
O brilho natural
E dos lábios arranca o riso...
Estou insatisfeito com esta sociedade
Feito mendigo que se arrasta
Sem espanto nem desejos...
Ela me faz triste homem quem chora,
Ela tira da minhas mãos a unção
Sagrada que me resta:
Ela me faz adúltero homem que peca
E me faz o descrente no Infinito D’us,
E me faz cego, e surdo, e mudo,
E me faz triste homem que chora.
ז
Se não me importasse
Com os que me cercam cegamente
E bebesse no brinde de seu fracasso
E dançasse na despedida,
Se eu deixasse minha vida despida
Sem marcas, sem pesos nem pensamentos
E me embriagasse da voz do peito,
Gritasse! Ah, se eu gritasse!
Se eu gritasse sobre montes conquistados
Ou em estrelas alcançadas pelo verso...
Não resistiriam os quem e ouvissem
Não pouparia, este meu grito, os que estão perto
E pisaria no sangue que me foi tirado...
Quero novos caminhos
Nesta caminhada
Em que não seja sábio nem louco;
Quero um pouco de paz,
Não quero um novo mundo
Nem a oportunidade de retornar,
Mas, neste mar, neste mesmo mar,
Desviar-me da orientação conhecida
E navegar por qualquer água
Sem bandeiras nem mercado!
Quero conhecer estas águas
De tanto conhecidas
E quero mergulhar
Onde alegrar-se a alma...
Os outros?
Ah, os outros...
Deixar-lhes-ei meu cadáver
Apodrecido e frio
Para o enterro;
Deixar-lhes-ei
O funeral pago pela minha vida;
Deixar-lhes-ei a nau em que navego
Á deriva
Para terem o que fazer
Procurando em quaisquer águas,
Mas não terão minhas lágrimas
Nem meu sorriso
Nem minha paz!
Voltei os olhos para ver
Tristes e pesadas marcas:
A vida esparramada pelo chão,
O calor do peito distante
E eu não resisti...
Morri!
...a vida não pode neste chão ficar...
Com mãos humanas de artífice
Serenamente lhe dei brilho
(de pesada, e triste, e abandonada)
Trouxe-lhe a alvorada novamente...
A força da vida não perece no tempo
(a vida não fica no tempo)
Não passa, e não acaba, e não desaparece...
A vida se refaz e se fortalece!
Ademais, a vida se acaricia com as mãos
E se faz na plenitude
Poesia,
Na amplitude se faz coração
... a vida é plena em si mesma ...
Busco estas marcas de vida
No caminho de volta:
Ás vezes, fico abatido e me revolta
Tê-la deixado na treva perdida,
Mas, agora, eleva-se o meu braço:
Nestas mãos o sentido e a vida,
Sob meus pés estourado o fracasso!
Quem sois vós que a alma chamais
Levando-a à luz dos sonhos eternos,
Fazendo-a transbordar de enlevos ternos
Em deleites estranhos, vistos jamais?
E me vades mudando a louca ira
Em mansa e angelical emoção,
Tirando este afligente da desilusão
]e a vida amarga da humana pira...
Quem sois vós que nos ventos viestes
Trazendo ensinamentos de paz e amor
Cuja força não está no coração dos mestres?
E soprastes no coração o doce perfume
Das flores, esquecidas pelo dissabor,
E a precisa lucerna dos vaga-lumes?
Adonai, os meus pés estão na terra humana,
Encravados no barro em que fui criado
E o corpo completamente cheira gente
E estou assim, Adonai, preso à lama,
Com os olhos voltados para o firmamento
Buscando a luz dos seus olhos maviosos,
Lutando por desfazer este vínculo e voar,
Talvez, a espaços quaisquer para a plenitude
Do espírito, e dos olhos que buscam
E das mãos que se levantam neste desespero
De aprisionamento em que estou no corpo
E, quem sabe, possa sair da estrada bifurcada,
E mansamente, muito mansamente, Adonai,
Estar em Ti nesse Cosmo pleno e liberto...
© copyright do autor (não reproduzir sem autorização)
© Estes poemas foram publicados, originalmente, nos Livros de Poesias “AMO” (1989) e “NO PEITO HÁ UMA PORTA QUE SE ABRE" (1989) e "ADSUM" (1992), Editora Luz e Silva, 1989-1992 (em 5749-5752)
Dedicados, hoje, à memória dos que foram esmagados debaixo dos fétidos coturnos nazistas, fascistas e similares e, igualmente, sufocados no silêncio doloso do mundo!
Dedicado, hoje, especialmente como Odes ao "ANJO" Simon Wiesenthal ou, ao caçador de vampiros nazistas
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No peito há uma porta que se abre
Submitted by KMA on 01/09/2007 - 19:26.
Excelente! somente quem passou tau situação, é que é capaz de tirar tão rica inspiração! na luta do dia a dia na busca da esperança de se viver mais um dia, mas o que importa no final dos dias é esta com aquele que nos fez para sermos felizes e alegres para todo sempre, e que esta com suas mãos estendidas a cada instante o Senhor Deus todo Poderoso Jesus de Nazare, rei dos reis e Senhor dos Senhores.
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