NÉS GADOL HAYÁ PÓ
"...proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a Lei..."
(Daniyel 7: 25)
Prezado Pastor Alvarez, Salve. Agradeço sua leitura do site CafeTorah com o qual temos intensa convivência e amizade e, agradeço, também, o apreço demonstrado aos meus textos ali postados. Observe, outrossim, que há outros textos esclarecedores de outros autores. Sempre espero que os meus textos façam os leitores refletirem, aprofundarem-se nos temas propostos, direta ou indiretamente e, quiçá, redefinirem, ao menos sopesarem, suas opções religiosas.
Normalmente, o que espero mesmo, é que muitos possam, assumida uma postura honesta diante das Escrituras Sagradas, uma postura coerente com os Textos, principalmente, com a Torá (a Constituição por excelência) tirar os entulhos teológicos, religiosos, preconceituosos, incoerentes e equivocados em relação a uma verdadeira hermenêutica e seu conseqüente imediado, isto é, a interpretação, em quaisquer de suas facetas!
Normalmente, o que espero com tais textos não é atacar ninguém, tendo em vista que somente os divulgo neste site “judaico”, considerando que os seus leitores sejam judeus, como eu, ou interessados no judaísmo (especialmente, o de caráter messiânico, ou seja, aquele judaísmo que, sem abandonar NENHUMA das Mitzvôt (Mandamentos) da Torá, abraçou a causa de Yeshua (erroneamente chamado Jesus)). Refiro-me a Yeshua considerando sua função de Rabi (meu Mestre), sua função de Sêh HaElohim (Cordeiro de D’us) e, finalmente, sua função de Filho de D’us: Mashiach (esperado e ungido) para ser Rei sobre Yisrael.
Agradeço, especialmente, a leitura feita do texto SÍMBOLOS JUDAICOS e seus comentários ali postados. Mas, prezado Pr., é importante que eu saiba mais a respeito das suas dúvidas, por exemplo qual o motivo do seu interesse nas questões judaicas. Se possível, diga-me se é uma curiosidade, se é um pressentimento ou se, realmente, tem interesse na verticalização do conhecimento das Escrituras Sagradas e, quem sabe, uma redefinição na sua conduta religiosa.
Faço este questionamento pois tenho o tempo bastante comprometido com minhas atividades acadêmicas, com minha atividade forense, com minha Sinagoga, com os membros dela, com as minhas responsabilidades na Universidade (pois ganho o meu pão dela; refiro-me à Universidade e não à Sinagoga, com a qual contribuo financeiramente, mas nunca viveria dos seus recursos, pois uma das Mitzvôt é “ganhar o pão com o suor do seu rosto”). Tenho em casa meus filhos que dependem de mim e da minha presença, da minha instrução para o seu crescimento e fortalecimento e, enfim, tantas outras atividades correlatas!
Digo-lhe isto pois não tenho interesse em DEBATES com cristãos, sejam eles oriundos de Roma ou de Wittenberg, sejam eles tradicionais ou carismáticos, sejam anglo-americanos ou afro-brasileiros. Nem tenho interesse em corresponder-me com CURIOSOS, mesmo aqueles que, sem nada saber, grudam um Kipá sobre a cabeça ou adquirem um Talit: nada entendem de Mitzvôt, menos ainda das 613 Mitzvôt. E sei, caro Pr., que ao responder sua pergunta, abrirei dois flancos claros diante dos seus olhos:
1) Deverei debater com V.Sa. sobre Festas pagãs (o que dispenso)
2) Verei V.Sa. desistir do trabalho que faz no “interior de São Paulo” (o que não é de meu interesse)
Pois, o Sr., tentará me convencer, debalde, que sua religião não é pagã e que seu Natal não é idolátrico. E, provavelmente, que sua Páscoa romana não é desvirtuada, que seus domingos substituíram meus Shabatôt, que sua Igreja está no lugar de Yisrael, que o céu ou o inferno é o destino de todos, que a Torá foi abolida, que os animais impuros podem servir às nossas mesas como alimento, que Jesus (o seu) é o Pai (o meu), enfim, tentará destruir em mim a formação que tenho na Torá, pois fazendo assim, a sua nudez não aparecerá no mundo.
Mas, poderá ocorrer que o ínclito Pr. desista do seu trabalho no interior de São Paulo, simplesmente, por aceitar uma das Mitzvôt da Torá. Pois basta uma das Mitzvôt para que o caro Pr. entenda dever desistir do seu trabalho religioso e abraçar causas mais substanciais, profundas e verdadeiras. A Torá, caro sr., não é apenas um Sêfer (um rolo) ou um livro; a Torá é a força de Adonai “creando” filhos à sua imagem e semelhança. A Torá, caro sr., não se presta para atividades oscilantes, fugazes, passageiras. A Torá é o sopro de Adonai nas narinas do homem!!!
Prezado Pr., o mundo judaico não é um mundo “barato”, não foi encontrado na esquina, não foi estabelecido comercialmente. O seu preço é o sangue!!! Temos visto ao longo da nossa História muito sangue, temos vivido muitas dificuldades, desde Abraham avinu (nosso pai), passando por Itzchak e por Ya’akov, e pela escravidão no Egito, e pelo deserto ao lado de Moshè, e pelas lutas contras filisteus, baixinhos ou gigantes, e pelo cativeiro de Babilônia, e pelos Medo-Persas, e pelos Greco-Macedônios, e pela opressão romana (que meteu nosso Mashiach em um madeiro), e pelas perseguições católicas durante a Idade Média, e pela perseguição e anti-semitismo de Martin Luter (Lutero) e pelo Holocausto (foram seis milhões de judeus mortos com a aprovação ou com o silêncio, tanto de católicos quanto de protestantes) e, atualmente, isto é, nos últimos 60 anos, pela tentativa de destruição por parte dos árabes muçulmanos e dos terroristas palestinos que se explodem diante de nós, levando nossas crianças, nossas mulheres e nossos anciãos; maculando as NOSSAS ruas de Yerushalaim e de outras cidades de Yisrael. Lembre-se, eles , os terroristas, só fazem isto porque em Yisrael reina a democracia e ali são tolerados cristãos, árabes e outros...
Ainda, prezado Pr., tenho mais a lhe dizer. Nossa Sinagoga, na Itália, sofreu todo tipo de barbárie, foi profanada, muitas das nossas crianças e achim (irmãos) foram mortos violentamente dentro dela até nada sobrar, enquanto frias e imponentes Igrejas deram-nos às costas, física e humanamente. Aqui no Brasil, em São Paulo, onde vivemos desde que a minha família veio da Itália, temos tido todo tipo de “imbróglio”, todo tipo de oposição, sobretudo, por parte de cristãos protestantes.
No Brasil, faz 45 anos que temos tentado ensinar o judaísmo, baseado nas Escrituras Sagradas às pessoas que nos procuram e, como nossa Sinagoga recebeu muitos grupos ao longo deste período: Assembléia de D’us, Batistas, Adventistas, Crísticos, Pentecostais, Esotéricos, Católicos, Neo-pentecostais, judeus marranos, testemunhas de Jeová, espíritas etc... V.Sa. deve imaginar a dificuldade de trabalhar com tantos flancos (por vezes, quase os pentecostais se impuseram; por vezes, quase os batistas se impuseram; por vezes, quase espíritas se impuseram; por vezes, quase os crísticos se impuseram e, assim por diante). Procuramos evitar os erros cometidos pela Sinagoga de Roma no primeiro século que, tendo recebido pessoas de variadas origens sucumbiu a elas, tornando-se o que hoje vemos ainda em Roma. Hoje, depois de muitas dificuldades, muita luta para tirar o entulho e sua herança, estamos dentro do objetivo inicial: somos uma Sinagoga que ama, respeita, ensina e cumpre a Torá e temos Yeshua como nosso Mashiach, com quem queremos reinar em Yerushalaim. Não recebemos mais curiosos pois nosso tempo é breve e não podemos deixar nossa Torá, inutilmente, investida em terra pobre, com espinhos e com pedras!
Digo-lhe isto (e desta forma) pois acompanhei desde criança o sofrimento dos debates inócuos (e iníquos), dos debates que se alongavam pela noite e tornavam as madrugadas um momento sem graça, sem mudanças e sem honestidade. Acompanhei meu babbo, que foi o nosso Mestre durante 30 anos, tentando explicar as Escrituras Sagradas no contexto judaico para cristãos e quase tudo resultou em perda de tempo, pois os cristãos não entendem as Escrituras e nem querem entender, vez que estão amarrados, amordaçados e envenenados pelas teologias e moralismos greco-romanos. O mundo judaico resulta em estranhamento para os cristãos. O nosso Shabat, as nossas leis dietéticas, o nosso comportamento, a nossa Torá, tudo enfim que fazemos e que somos, é inadmissível pelo ângulo cristão.
Peço compreensão a V.Sa. pelo tom da resposta, mas recebo, quase sempre, e-mails de curiosos, de pessoas que não estão interessadas em aprender (e muito menos em apreender) coisa alguma.
E me parece que sua pergunta não tem muito sentido. Parece-me curiosidade. Não tenho tempo para curiosos pois não me sinto atração artística, nem objeto de arqueologia, para ser analisado. O Mundo Judaico é um mundo vivo que continua vivo, não graças à sociedade cristã, mas ao apego dos judeus à Torá, ao seu apego aos quatro mil anos de caminhada, desde Abraham aos dias de hoje. Não queremos ser mencionados nos ciclos e cercanias cristãs, nem queremos fantasias religiosas. Não queremos esta aparente “comunhão” com os cristãos pois os mesmos são formados em outras bases, bastante distintas das judaicas. Basta conhecer a história de Atenas e de Roma para que se entenda o mundo cristão do qual V.Sa. é representante.
Finalmente, acerca da sua indagação e de seu pedido, não há possibilidade nenhuma de “fazer um texto comparativo” da nossa Festa de Chanuká com a de V.Sa., o Natal.
Não há comparação NENHUMA entre a Festa de Chanuká (do hebraico: חנוכה) e a Festa de Natal (do latim: natale), pois uma é judaica e a outra é romano-germânica!!! Os judeus não são em nada semelhantes aos romanos nem aos germânicos (dos quais a única memória que temos é a tentativa deles em nos destruir). Digo-lhe, prezado Pr., os romanos tentaram nos destruir em Massada, nos anos 70, e os germânicos em Auschwitz, nos anos 1940. Entre aqueles romanos de Massada e estes germânicos de Auschwitz, muitos outros romanos e muitos outros germânicos se ergueram em quase 1900 anos, revestidos de falsa piedade, de falsa religião e de falsa compreensão e nos lançaram aos lobos, aos cães, aos leões, aos tigres, aos tambores de óleo fervente, aos madeiros em fogo, às guilhotinas, aos porões fedorentos de prisões injustas, à humilhação, ao lashom hará (língua para o mal). Perdemos tudo, menos nossa dignidade, menos nossa FÉ em Adonai, menos nosso senso de justiça, menos nossas Festas, menos nossa Torá!
Digo apenas que o Natal é uma Festa católico-protestante, criada no espírito romano (melhorado com a filosofia grega) que ajuda bastante a Economia com seus mercados, na qual se vende muito champagne, na qual se come bastante “pernil”, na qual se celebra “o nascimento de um deus”. Enfim, a Festa que V.Sa. estimula suas “ovelhas” a celebrar é uma festa pagã. Não temos nada a ver com ela! Não mencionamos tal Festa e não participamos em nada dela, nada comprando nestes dias que possa parecer apoiar tal festa. É uma festa romano-germânica e nós somos judeus!!! Não somos romanos, não somos gregos: somos judeus e vivemos como judeus!
Nossa FESTA DE CHANUKÁ, cuja única coincidência (este ano) com o Natal é de ser celebrada no dia 25/12 (insisto, somente este ano, pois nosso calendário é outro) não é uma festa “mítica”, nem “mística” e nem “idolátrica”. Nosso único D’us é ADONAI que nunca nasceu pois ELE é o Infinito e está absolutamente para além deste tempo e deste espaço!
Em Chanuká comemoramos a “re-dedicação” do Templo (BEIT HAMIKDASH) a Adonai por volta dos anos 160 a.e.c. O Templo havia sido profanado por gregos e sírios. Mataram e comeram animais impuros, como o porco (o pernil, o presunto, o salame, a salsicha e a mortadela que V. Sa. põe na sua mesa de Natal) dentro do Templo, sacrificaram crianças, mulheres e velhos aos deuses pagãos dentro do nosso Templo. Depois de muita luta, os judeus conseguiram expulsar daquele Templo tais profanadores e opressores e descobriram um cântaro com azeite não contaminado pelas práticas gentílicas. Tomaram daquele azeite e o utilizaram na Menorá (castiças de sete pontas) e a mesma ficou acesa durante 8 dias com o mesmo azeite, até que fosse feito um novo azeite.
Por isso mesmo, comemoramos a Festa de Chanuká, Festa das Luzes, da Dedicação. Reunimos nossas crianças e as ensinamos o valor de serem judias. Acendemos nossa Chanúkia (candelabro de 8 + 1 velas) durante os oito dias, em alegria e júbilo, por sermos judeus, por termos um D’us que é Singular e Único. Reunimos nossas famílias na Sinagoga e partimos o pão que nossas irmãs fazem, e dançamos alegremente. SOMOS felizes com NOSSO D’us e com a NOSSA Torá!
Abençoamos, sobretudo, nestes dias de Chanuká, o Nome de Nosso D’us, Único e Verdadeiro, pela NOSSA TORÁ, que Ele nos deu no Sinai, pela Instrução que não deixou faltar, pelos NOSSOS Profetas, pelos NOSSOS Patriarcas, por Yeshua, NOSSO Mashiach, pela NOSSA Yerushalaim e pela NOSSA Terra de Yisrael!
Temos em nossas portas a Mezuzá (que não é enfeite nem amuleto) que nos faz lembrar, ao entrar e ao sair, de Adonai e de sua Torá e da maior das Mitzvôt. Eis a Mitzvá, a que basta para que V.Sa. perceba a contradição da pergunta e o equívoco da comparação: SHEMÁ YISRAEL, ADONAI ELOHENU, ADONAI ECHAD! (Escuta, Yisrael, Adonai é o Nosso D'us, Adonai é Um!)
significados:
NÉS GADOL HAYÁ PÓ ("UM GRANDE MILAGRE ACONTECEU AQUI" para quem estiver falando a partir de Yerushalaim)
NÉS GADOL HAYÁ SHAM ("UM GRANDE MILAGRE ACONTEU ALI") para quem estiver falando a partir de qualquer lugar fora de Yisrael)
Nas bênçãos do Eterno e na Luz do Mashiach
(em preparação de Chanuká) 21 dicembre 2005 – 21 Kislev, 5766
(respondendo a uma questão e a um comentário)
Leia, também, nesta seção o Poema "NATAL de 1989 ou, até quando o plástico?". Trata-se de um pequeno poema, escrito em 1989, em relação a toda movimentação que se faz em função das festas de fim de ano.
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© Ms. J. Pietro B. Nardella-Dellova, 42, Mestre em Direito pela USP (A Crise Sacrificial do Direito: um estudo de René Girard, Martin Buber e Yeshua). Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP (A Palavra Como Construção do Sagrado: um estudo da Poesia em Heidegger e Osman Lins). Pós-graduado em Direito Civil (Os Direitos da Personalidade). Pós-graduado em Literatura Brasileira (A Palavra Multifacetada: do grau zero e outros graus da palavra). Formado em Filosofia e em Direito. Poeta e Membro da União Brasileira de Escritores - UBE. Autor dos livros: AMO, NO PEITO e ADSUM. Ex-membro da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/SP. Darsham (predicatore) e Mestre (Rav) da Sinagoga Sêh HaElohim (originada da Sinagoga Scuola (Beit HaMidrash), Lazio, Itália). Membro ativo da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação dos Advogados de São Paulo. Consultor e Palestrista. Professor de Direito Civil, Ética e Filosofia do Direito em São Paulo. Coordenador dos Cursos de Direito da Faculdade de Jaguariúna e da Faculdade Policamp, em SP.
veja textos em:
www.cafetorah.com (páginas de judaismo messiânico e sabedoria judaica)
veja outros textos em:
www.faj.br/artigos.php - www.policamp.edu.br/artigos.html
e-mail para contato:
prof.nardella.dellova@virgilio.it
sinagogasehhaelohim@virgilio.it
Prof. Nardella-Dellova


O Sr. é por demais agressivo.
So falta dizer que crê na Jirah.