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DA CONSCIÊNCIA JUDAICA ou, de como estar no mundo sem ser uma coisa

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do Ms. J. Pietro B. Nardella-Dellova, darsham "...Assim diz Adonai Tsevaoth: naqueles dias dez homens de vários povos e diversas línguas pegarão nos tsitsit das vestes de um judeu, dizendo: queremos ir com vocês já que percebemos que Elohim é com vocês..." (Zejariá (Zacarias) 8: 23) Estimado achi, Shalom! Recebi a mensagem que você encaminhou para o e-mail da Sinagoga no dia 27/11. Assim que chegou a mim fiquei tocado pelo que pude ler no texto, pelos matizes do contexto e pelo que pude absorver da mensagem do seu coração. De fato, você está certo ao dizer que somos ou seremos odiados, pelo simples fato de estarmos vivendo a Torá. A ela, Torá, se opõem as “teologias”, sobretudo, as católico-muçulmanas e cristãs, sejam tradicionais ou contemporâneas; a Ela se opõem os homens que se alimentam de injustiça, perversão e degradação; opõem-se a ela as corporações profissionais que exploram tudo o que uma pessoa tem, até sua dignidade! Opõem-se a ela os homens e as mulheres que não querem “obedecer” ao Eterno. Opõem-se a ela os países que oprimem os povos. À Torá se opõem a grande Prostituta e suas filhas apocalípticas, naturais ou adotivas. Opõem-se já os embriões da maldade e os vermes que rastejam de variadas cores, de variadas formas, de variadas línguas, de variados panos, de variadas crendices, de variadas superstições! Onde quer que se erga a Torá (o que é uma Mitzvá), tudo o que estiver em volta se oporá impiedosamente!!! Na verdade, caro fratello, os homens e as sociedades criaram para si mesmos o que lhes é conveniente, nada entendendo ou nada querendo entender e compreender das palavras do Rabi Yeshua: “Pai, Seja Feita a Tua Vontade...” Afinal, os homens religiosos jamais se perguntaram quem seja este “Pai” e qual seja a Sua Vontade. Preferiram, ao contrário, criar seus deuses natalícios e formatar suas religiões em que a vontade seja a do homem e não a do Eterno! Tomaram a Torá e os Profetas, a saber, tomaram Moshè e Eliahù e os expuseram na praça da cidade, da grande cidade babilônica, os envergonharam e bateram duros contra eles, matando-os como que para sempre... Mas eles sobreviveram, assim como, sobreviveu Yeshua... Assim como sobrevivemos nós... reservados para um Novo Tempo, onde habita a justiça e a paz! Igualmente, jamais chegaram ao entendimento das palavras do mesmo Rabi Yeshua ao dirigir-se ao HaSatan que a ele testava, dizendo-lhe: “também está escrito: adorarás somente o Eterno e somente a ele prestarás culto”. Jamais entenderam nem desejaram compreender estas outras palavras do Grande Rabi: "...tudo o que os rabinos vos ensinam observai e praticai..." Por isso mesmo, nada puderam alcançar exceto a cor, o peso, a tessitura e o cheiro de sua inócua religiosidade e das suas multifacetadas teologias! E, ao contrário do que ensinou o Mestre, perseguiram os rabinos, mataram os judeus e atribuiram a eles uma culpa que não é sua! E nisto cobre-se de razão o revolucionário russo Lênin: “... a religião é o ópio do povo...”. Não há o que discutir pois os fatos demonstram e durante milênios demonstraram que as religiões servem ao propósito da cegueira, da surdez, da ignorância, das trevas e da dominação! Aí é que entra a Torá, num processo de libertação dos seres humanos, num processo de construção do que temos de melhor em nós mesmos: a humanidade, pois a Torá é o processo mais rico, mais perceptível, mais substancial de humanização do mundo! A Torá é a garantia de um estado de espírito ungido pela liberdade, pela realização e pelo louvor a Adonai. Mesmo no nosso dia-a-dia encontramos e encontraremos oposição, dentro e fora de casa, pois nem todos estão no mesmo nível de compreensão, nem todos enxergam as mesmas estrelas, e nem todos abraçaram, ainda, a Torá do Eterno como MODO DE VIDA! Daí que a oposição tende a crescer em todos os setores da nossa vida, das nossas relações, profissionais ou familiares. Sempre houve, e sempre haverá, lutas sem tamanho. Às vezes nos parecerá ser tal a nossa fragilidade e tão mínimos nossos recursos interiores, face aos monstros de odores e humores variados. Mas, se estamos na Torá, é engano nosso o sentimento de fraqueza, pois com a Torá e suas Mitzvôt venceremos. Como está registrado por Yochanan, no livro da Revelação (Apocalipse): “...vencerão os que guardarem as Mitzvôt (Mandamentos) do Eterno e a Fidelidade de Yeshua...” Ser judeu nunca foi ou pareceu ser fácil. Desde nosso pai Abraham cujo preço para ser judeu (e pai dos judeus) foi o de SAIR do meio de sua parentela, DEIXAR sua terra, e ABANDONAR a casa de seus pais rumando, rumando para uma terra estranha e desconhecida, apontada unicamente pela sua FIDELIDADE ao Eterno! E o que dizer, então, de Itzchk, de poço em poço, buscando ambientes de relativa paz para o desenvolvimento de suas raízes. E, ainda, de Ya’akov que atravessou duas décadas longe de tudo o que lhe era querido e amado, que lutou contra “forças estranhas” de “seres estranhos”, que enfrentou as intempéries de seu irmão de sangue, e a dor da perda da amada, e a dor da perda do filho querido... Ser judeu nunca foi ou pareceu ser fácil. Com os pés e unhas encravados nas terras egípcias, com a alma enlameada de toda sujeira norte-africana, fazendo blocos para os templos dos deuses pagãos, fomos erguidos para o Eterno e caminhamos como sombras noturnas, como zumbis, como transeuntes pelas areias do deserto e ficamos, fracos e trôpegos, no entorno do Monte Sinai, durante um ano, recebemos cada uma das Mitzvôt, recebemos cada uma das Palavras saídas da “boca” de Adonai, escritas com a ponta do seu dedo, com as quais fomos “re-inventados, re-criados, re-feitos, e re-ssuscitados” e nos tornamos um povo que caminha, que atravessa, que sobe, que desce, que corta, que volta, que transita, que avança, que se constitui, que luta, que vence, que sai das cinzas e do pó. Tornamo-nos, com a Torá, os ossos (de Ezequiel) que se reconstituem e os corpos vivificados pela Ruach HaKodesh... Ser judeu é isso, caro fratello, é ser moído ao extremo, é ser pregado na cruz e sair dela para a vitória. Ser judeu é ser quase apagado da história dos povos e se tornar, ao longo dos milênios, um povo que não morre! Um povo que não se vende! Um povo que não troca o seu D’us, o Único e Verdadeiro D’us, por bolinhas de natal e copinhos de plástico, por coelhinhos de chocolate... Que não troca o seu D’us por qualquer outro pintado, folheado ou esculpido pelos homens. Que não troca sua Torá por quaisquer livros, seja de São Cipriano, sejam encíclicas papais, sejam cartilhas protestantes de escolas dominicais, sejam esoterismos perdidos e insípidos. Ah, caríssimo achi, ser judeu é ser lançado aos leões de Roma e sua multidão tresloucada e poder olhar no "ventre" dos olhos do Imperador, prender à mão um punhado da areia embebida com sangue hebreu e ergue-la ao Céu, dizendo: Shemá Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad! Por isso mesmo os sacerdotes católicos nos odiaram tanto; por isso mesmo Lutero nos desprezou tanto; por isso mesmo Mussolini nos vendeu ao preço de um Vaticano... Por isso mesmo, os tiros e os fornos nazistas não nos contiveram. Por isso mesmo comemos o pão do nosso suor e do nosso sangue e saímos daqueles lúgubres lugares germânicos e nos tornamos uma pátria. E por isso, ainda, nosso Mashiach há de reinar, para o qual os todos os tiranos deverão olhar, para o qual todos os opressores deverão olhar, para o qual todos os fascitas e nazistas deverão olhar e dizer: ELE É MESMO JUDEU!!! Para o qual todos os povos deverão tributar louvores, e honra, e glória: porque nosso Mashiach é feito do sangue de Abraham, e é feito da Torá de Moshè, e é ungido pelo Espírito do Eterno. Afinal, porque ser judeu, é ser feito à imagem e semelhança de Adonai, Baruch HaShem!!! E por isso mesmo uma de nossas Mitzvôt é ser grato ao Eterno por tudo, abençoar o seu Nome por tudo e servi-lo de todo o nosso coração, como estamos fazendo neste período de Chanuká, em que comemoramos vitórias tiradas das últimas forças dos nossos irmãos macabeus em 165 a.e.c.!!! É verdade, é preciso ter consciência de que necessitamos de consciência, de que necessitamos de zelo, de que necessitamos de entrega e de doação pessoal! De que necessitamos de mergulhar fundo em busca da pérola perdida sem morrermos ao canto de quaisquer sereias... É preciso predisposição em caminhar nos caminhos da Torá, ao lado de Yeshua, e oferecer-lhe o ombro amigo e fraterno nesta hora em que muitos se apartam, em que muitos se envergonham, em que muitos se escondem e não respondem, em que muitos temem, em que muitos são indolentes, ignorantes, brutos, mercenários, infantis e fazem, ainda, lashom hará... É preciso predisposição e paciência para suportar, calado, os dardos inflamados do materialismo, da arrogância, da irreverência, da estupidez e da ingratidão, porque tais setas silenciosamente cortam a madrugada e trazem em suas ponteiras o veneno da maldade hospedada no coração, hospedada no ventre, hospedada na corrente sangüínea e nos sepulcros caiados! É preciso iluminação, profundidade, comprometimento, nesta hora em que muitos não sabem, ainda não sabem, quem é o Eterno que nos tirou do Egito, da escravidão, para nos levar a uma terra de onde mana leite e mel; nesta hora em que muitos criam seus ídolos para todos os gostos e épocas; nesta hora em que tomam o Nome do Eterno em vão e o profanam; nesta hora em que o Shabat foi convertido em uma coisa mecânica e sem sentido ou trocado por um domingo pagão, ou dia consagrado ao deus Mercado. Nesta hora em que muitos gospem em seu pai e esmurram sua mãe. Nesta hora em que muitos assassinam, seja com a língua ou com armas de fogo. Nesta hora de adultério flagrante, e de roubo, e de furtos continuados e de testemunhos comprados aos montões, armazenados e resfriados nas prateleiras forenses. É preciso virtude, nobreza e honra, nesta hora em que muitos têm os olhos sensuais e malignos e tropeçam, ainda tropeçam, na cobiça e na inveja. Nesta hora em que homens cuja inteligência e cérebro só funcionam para o sexo, cujos passos e atitudes sujam os lençóis da sua própria cama e o alcance indevido de suas mãos tranformam as rendas dos vestidos da mulher alheia em trapos, em assédio, em humilhação. Nesta hora em que muitos, tristemente, atraem seu próximo à mesa e lhe vendem o pão, a amizade e o sorriso e o desonram na conduta mais rudimentar. O envergonham e o desprezam ao toque de uma corda desafinada... E se transgridem assim, as Dez Palavras escritas com o dedo de Adonai, o que farão com as outras 603 Mitzvôt? Transformá-las-ão em setas contra tudo e contra todos! E, finalmente, entregarão seus filhos à sorte da escravidão social, aos casamentos deformados, aos matrimônios podres, e suas filhas serão postas, fixadas como troféus, e condenadas às portas dos prostíbulos... Por quê? Porque sua mãe tornou-se a folha que o vento leva e seu pai, quebrados todos os princípios, transformou tudo ao seu redor em coisa comestível. A honra, a dignidade, o respeito, o limite, o apreço, a fidelidade, a reverência, tudo enfim, foi jogado em algum canto da casa... São os casos em que toda a construção, todo investimento, todo o tempo dispendido, toda reunião, toda lágrima, todo sorriso, toda bênção, toda movimentação e toda música são, simplesmente, despejados, sem medo nem pudor, no vaso sanitário e uma voz ecoa em todas as linhas, em todos os sites, em todos os espaços, em todos os cantos, em todas as camas, em todos os carros e ônibus, em todas as mortes: "...venham amigos, venham todos, e fotografem, e registrem, e observem, e contemplem, e aplaudam, e vejam nesta latrina a grande obra que eu fiz..." Mas, quanto a nós, caminhemos sem mais parar! Caminhemos, sem mais fraquejar! Caminhemos, avante, sempre avante, na substância da Torá de Adonai, deixando do lado e para trás os entulhos que fomos agregando em nós mesmos! Caminhemos, sem perder o rumo dos ensinamentos do Rabi Yeshua Ben Yosef e sem perder a esperança em seu retorno como Mashiach... Um dia terminará esta fase de lutas, de vômitos, de mal-estar, de antipática intolerância, de dúvidas, de desrespeito, de excitação licenciosa e de ignorância. Um dia, caro fratello, crescidos e formados na Torá, entenderemos a diferença entre o Bem e o Mal; a diferença entre o amigo próximo e o inimigo; entenderemos que de cada ação resulta uma conseqüência que somente a nós cabe, que somente nós devemos experimentar! Um dia entenderemos a responsabilidade de cada ato, de cada palavra, de cada advertência, de cada negócio, de cada atitude... Não se perca, nem permita que sua família se perca, nas “discussões teológicas de portão e de banheiro”, não permita que sua família se perca à mesa, não permita que sua família se perca na coisificação que, no mais das vezes, levam apenas a intrigas, à escuridão e ao afastamento do Eterno... Não se perca na indolência nem na inércia, porque o Reino de D’us não é dos indolentes nem dos inertes. Caminhe, caro achi, seguro e liberto, dos fantasmas, dos ecos que atravessam suas décadas, das maldições conhecidas e desconhecidas, conexas e desconexas. Caminhe para o Alto, pelo deserto da liberdade e para o Monte... E suba o Monte para receber a Instrução de Adonai, para sentir-lhe o fogo e receber o beijo dos ventos que batem contra pedras e inserem nelas a VONTADE DO ETERNO... E ao atravessar estes desertos, e ao abandonar estas vozes que sussurram o hálito de HaSatan, e ao descer deste Monte, abençoe, sem perda de tempo, seus filhos em cada manhã, em cada tarde e em cada noite. Fale do Eterno para eles; ajude-os a amar o Eterno; ajude-os a entender a construção de cada dia; ensine-os a ganhar o pão justo e honesto a cada dia. Aponte-lhes as estrelas, e a lua, e o Sol, e os mares, e as flores, e os pássaros, e os animais, e os montes, e os jardins, para que saibam quem é o “Creador”, quem é “Elohim”. Aponte-lhes os homens, as mulheres e as crianças, para que saibam quem é “Adonai Elohim”, e assim, somente assim, saberão o porquê de tudo ser “bom”, e o porquê do homem ser “muito bom”. E ao construir sua cabana aos pés do Monte, olhe nos olhos da sua mulher como nunca antes, abrace sua mulher nos ventos que cortam as rochas e esfriam as areias do vazio e abençoe sua mulher, como se fosse a única bênção possível de Adonai em sua vida. Como o braço que te segura e te dá a resistência cotidiana. Apresente a ela as flores de que ela é formada. Apresente a ela o perfume que a reveste. Cante para ela o Cântico dos Cânticos de Sh’lomo em cada dia, em cada madrugada e em cada noite. Apresente a ela a coroa que a legitima como rainha de sua casa e a aplauda, e a louve, e a reverencie, porque ela é o braço de Adonai no seu mundo: é a sua mulher e a mãe de seus filhos! Que os seus olhos sejam dela e os dela sejam seus! Que as suas mãos possam trazer o fruto do seu trabalho, do seu suor, da sua honestidade e da sua boa-fé e que as dela possam abençoar sua casa com o pão, fruto do seu apreço, do seu reconhecimento e do seu amor por você. Partamos disto, exatamente disto! Nada pode nos oferecer o abrigo, o calor, o alimento, a formação. Nada pode nos oferecer a relação perfeita com o Único e Verdadeiro D'us, somente a Torá, isto é, a Instrução, a sua Palavra: o "Dabbar" que sai do Eterno e volta para o Eterno e que é Ele mesmo! O “Dabbar” que se fez e que se faz carne, e que habita entre nós! Pois a Torá é, de fato, o presente do Altíssimo e sem ela nada somos, nada temos. Sem ela seremos pisados pelos homens, pois sem ela, nos faremos como o sal insípido e seremos como a lâmpada apagada. Sem ela desaparecemos no vácuo e nos desintegramos no vazio da coisa nula! Nas bênçãos do Eterno e na Luz do Mashiach Festa de Chanuká, 5º dia, 29 Kislev, 5766 - 30 dicembre 2005 * resposta preparada para Júlio Poggio Jr., da Sinagoga Sêh HaElohim © copyright do autor _____________________________ © Ms. J. Pietro B. Nardella-Dellova, 43, Mestre em Direito pela USP (A Crise Sacrificial do Direito: um estudo de René Girard, Martin Buber e Yeshua). Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP (A Palavra Como Construção do Sagrado: um estudo da Poesia em Heidegger e Osman Lins). Pós-graduado em Direito Civil (Os Direitos da Personalidade). Pós-graduado em Literatura Brasileira (A Palavra Multifacetada: do grau zero e outros graus da palavra). Formado em Filosofia e em Direito. Poeta e Membro da União Brasileira de Escritores - UBE. Autor dos livros: AMO, NO PEITO e ADSUM. Ex-membro da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/SP. Darsham (pregador) e Mestre (Rav) da Sinagoga Sêh HaElohim (originada da Sinagoga Scuola (Beit HaMidrash), Lazio, Itália). Membro ativo da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação dos Advogados de São Paulo. Consultor e Palestrista. Professor de Direito Civil, Ética e Filosofia do Direito em São Paulo. Coordenador dos Cursos de Direito da Faculdade de Jaguariúna e da Faculdade Policamp, em SP. veja textos em: www.cafetorah.com (páginas de judaismo messiânico e sabedoria judaica) veja outros textos em: www.faj.br/artigos.php - www.policamp.edu.br/artigos.html e-mail para contato: prof.nardella.dellova@virgilio.it sinagogasehhaelohim@virgilio.it