A Torá: Constituição Perpétua!

por Ms. J. Pietro B. Nardella-Dellova, darsham

Outra vez lhes informo que as Cartas Aos Coríntios, bem como, quaisquer outras Cartas de Rav Shaul, são Cartas ESPECÍFICAS, a uma determinada pessoa ou comunidade. Óbvio que Cartas específicas são produzidas dentro em um contexto particular, normalmente, desconhecido por outras pessoas, sobretudo, quando essas "outras pessoas" estão a dois mil anos de distância.

A Torá, e somente ela, é "CARTA" Magna e Universal, outorgada pelo Eterno. Portanto, todo e qualquer ESCRITO, seja de Rav Shaul, seja do Meshulach Keffa, seja do Meshulach Yochanan. Sejam, ainda, relatos acerca de Yeshua produzidos por "Mateus, Marcos, Lucas ou João", ou por suas comunidades. Sejam textos comumente considerados sagrados ou apócrifos. Enfim, quaisquer textos devem ser lidos à LUZ da TORÁ.

Assim, desta forma, qualquer dúvida será resolvida ou, ao menos, reconsiderada, sem que haja afirmações cujo resultado será uma violência à Torá!

Lembro, novamente, que muitos textos, sobremodo, os Escritos dos Talmidim de Yeshua ou de Convertidos a partir deles, acabam por ser desprezados, não pelo seu conteúdo, mas pelas TEOLOGIAS que se criam a partir deles e, assim, judeus, embora conscientes na Torá, sequer se dão ao trabalho de folhear os mencionados textos por considerar que eles são a fonte de tais Teologias, o que não é verdade!

Conheço os textos destes Talmidim e não há nada neles que agridam a Torá, pelo contrário, reafirmam-na com propriedade singular. Conheço, também, as religiões e suas respectivas teologias e, infelizmente, estas sim, agridem a Torá, violam as mais simples Mitzvôt, por vezes de forma cumulativa e superlativa e, por fim, colocam na boca daqueles Talmidim e Meshulachim "palavras que eles não pronunciaram" ou, ao menos, dão uma magnitude às palavras por eles ditas, quando a intenção deles era apenas de alcançar determinadas pessoas ou determinadas comunidades. Certamente, eles não pretenderam que seus escritos tivessem um caráter de sacralidade, muito menos, que fossem utilizados contra a Torá!

Por fim, equivocam-se gravemente os que dizem "A BÍBLIA DIZ". A Bíblia não "diz" absolutamente nada porque não há um livro válido diante do Eterno que se chama BÍBLIA.

Há verdadeiramente um, dado por Ele mesmo, que se chama TORÁ. Há outros, inspirados por Ele, que se chamam NEVI'IM. Há outros, produzidos pela Sua inspiração ou pela grandeza da alma humana, que se chamam KETUVIM. Há, ainda, outros escritos, frutos da incessante busca de compreensão e diálogos humanos que se inserem no TALMUD.

Há outros, produzidos pelos homens que conheceram Rabi Yeshua e viveram com ele ou, que souberam acerca dele pelos Meshulachim (emissários), cuja necessidade era comunitária ou pessoal, juntados, erroneamente, sob a forma de Novo Testamento. Sabemos serem relatos com profunda veracidade de homens do primeiro século desta era comum. Por fim, outros textos foram escritos por sábios que quiseram aprofundar seus conhecimentos em torno da Torá, buscando verticalizar o conhecimento, e tais textos se apresentam hoje como Cabalá, ou textos da Cabalá.

Todos eles, desde os Nevi'im (Profetas) até os textos referentes à Cabalá, são maravilhosos e ajudam na construção, no crescimento e no fortalecimento dos estudiosos de boa-fé. Mas, toda vez que foram colocados em pé de igualdade ou sobrepondo-se á Torá, causaram grandes males, não porque sejam maus, mas porque desrespeitou-se a Autoridade singular da Torá e, a partir desta iniqüidade (a de desrespeitar a Torá), enceguecidos, os homens se tornaram simplesmete esotéricos, talmudistas, cabalistas, cristãos etc... e não alcançaram se tornar "homens de D'us" ou "filhos de D'us", porque os filhos de D'us ouvem a Palavra de D'us, isto é, a Torá!

A hierarquia, à semelhança do que ocorre no mundo jurídico, deve ser mantida e respeitada. A Torá, na qualidade de Constituição, sobrepõe-se a quaisquer outros textos. E todos os textos, escritos pelos servos do Eterno, para serem plenamente compreendidos, devem ser lidos à sua luz única e grandiosa e à sua sombra hierárquica!

Não podemos indistintamente colocar todos com o mesmo peso e valor, pois fazendo assim, os homens chegaram a aberrações como "VELHO ou ANTIGO TESTAMENTO", "NOVO TESTAMENTO" etc...

Outras aberrações, ainda mais contundentemente rasteiras, referem-se a determinadas afirmações que não se encontram em quaisquer lugares das Escrituras, seja na Torá ou em Outros Escritos, como, por exemplo:

- "Yeshua limpou tudo pois disse que tudo que entra, pela boca... não contamina o homem...". Uma inverdade jamais encontrada em quaisquer textos das Narrativas acerca de Yeshua pois, a única vez que Yeshua falou algo "parecido" referia-se exclusivamente à tradição de "lavar as mãos"!

- "D'us afirmou à Keffa que havia purificado todos os animais impuros e, agora, podem ser comidos..." Outra mentira sem nenhum fundamento, pois este episódio refere-se, apenas, à resistência interior do Meshulach Keffa em levar a Palavra do Eterno e o Mashiach aos gentios, considerados (os gentios) como impuros!

- "Rav Shaul era contra a circuncisão..." Quando Rav Shaul não somente defendia a Torá e todas as suas Mitzvôt, incluindo-se aí a Mitzvá da circuncisão (aliás poucos rabinos são ou foram tão zelosos com a Torá como Rav Shaul!!!). Não há em suas Cartas ou em suas manifestações públicas narradas por Lucas, nem mesmo nas Cartas de outros Meshulachim quando falam de Rav Shaul, algo que possa lembrar ter sido ele contra a Torá.

Veja, ainda, outro exemplo de abuso: Yeshua reafirmou a Aliança, a renovou em uma celebração maravilhosa de Pessach com seus amigos e talmidim e, por desconhecimento gentílico, a partir de Roma, converteram aquele Sêder de Pessach, que o Rabi Yeshua celebrou e, bem mais que isso, que ele pediu que se fizesse (o Pessach) em lembrança dele, com todos os seus ingredientes característicamente judaicos, em Santa Ceia, cerimônia que carece de qualquer fundamento!

E tomaram suas palavras, na mesma noite, de reafirmação e renovação (nele) da Aliança, e criaram uma Aliança nova que revoga a anterior quando Yeshua nunca falou de Aliança Nova, mas de Aliança Renovada e, depois dos anos 300, tomaram, ainda, todos os Escritos suscetíveis de reunião e, a todos eles, conjuntamente, chamaram Novo Testamento, opondo-o, a partir de então, à Torá!

E por que isso ocorre? Por que estas afirmações levianas são levadas como verdades teologicamente aceitas e recorrentes? Porque os que leem o fazem desprezando a Torá e, então, os olhos, o entendimento, a competência de leitura, o discernimento ficam obstaculizados, atrofiados e sem funcionabilidade!

E por que continuam errando continuamente os homens? O Rabi Yeshua responde: errais por não conhecerdes as Escrituras e o Poder do Eterno! Antes que alguém avance apressadamente, esclareço, às quais Escrituras Yeshua se referia? Às mesmas às quais sempre se referiu: primeira e soberanamente à Torá e, em seguida, aos nossos Profetas e aos Tehilim (Salmos), até porque não havia outros escritos pós-Yeshua à época!

A Teshuvá, tão discutida, pressupõe acima de tudo, um retorno integral à TORÁ e um real cumprimento de suas Mitzvôt, abandonando os maus procedimentos, inclusive, o que respeita aos estudos das Escrituras Sagradas. Portanto, um correto e justo procedimento é buscar o conhecimento do Eterno à Luz da Torá!

Os homens vêm batendo duro contra a Torá desde tempos antigos. Desde a sua recepção por conta de cultos pagãos ao Bezerro de Ouro, perseguições egípcias, babilônicas, medo-persas, greco-macedônicas, romanas, greco-romanas e muçulmanas medievais, romano-germânicas modernas, afro-americanas contemporâneas, bíblico-religiosas da globalização até este exato momento. E por isso mesmo, andam pelo mundo enceguecidos e buscando prosélitos às suas teologias insipientes!

O dia em que os homens, judeus ou não, voltarem, em Teshuvá, para a Torá, na sua plenitude, deixando-a operar o efeito para o qual foi dada, estaremos no tempo propício, segundo nossos Profetas, para a chegada e estabelecimento do Reino do Mashiach e da Luz do Eterno, e nisto se justifica o Maguen David que ostentamos diariamente, tanto em nós mesmos, como em nossas Sinagogas. Aquela singular estrela representa o homem que se constrói na Torá e a Mão do Eterno alcançando este homeme com a Ruach HaKodesh, em uma harmonia perfeitamente messiânica! Pois a Torá é a Constituição do povo que poderá chamar-se "Filhos de D'us" ou, com mais simplicidade, "Homens de D'us".

Discutimos o sistema jurídico todos os dias nos bancos acadêmicos dos nossos Cursos Jurídicos. Ensino a base constitucional do sistema jurídico aos meus alunos do Direito, disputamos direitos sob a Luz da Constituição Federal do Brasil nos Tribunais. Os Poderes da República disputam interesses todos os dias em um Tribunal especialíssimo chamado SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, cuja única missão é a de ser Guardião da Constituição Federal da República Federativa do Brasil, escrita, segundo seu preâmbulo sob a proteção de D'us, por homens que nada têm a ver com o Eterno, homens que venderam o Brasil ou deixaram de agir de forma justa e ética.

Se a Constituição Federal do Brasil, escrita por homens cuja dívida moral é impagável, é respeitada e levada em conta nas decisões judiciais, tendo mesmo um Tribunal para manter sua autoridade, o que não deve ser feito, então, para a TORÁ escrita pelo próprio Eterno para um tempo que se chama perpetuidade?

Espero ter podido ajudá-los em algum aspecto!

Nas bênçãos do Eterno e na Luz do Mashiach

* Respostas preparadas em 9 marzo, 2006 – 9 Adar, 5766, para as indagações de Vitor Cordeiro, encaminhadas por e-mail em 22/12/2005.

© Ms. J. Pietro B. Nardella Dellova, 43, Mestre em Direito pela USP (A Crise Sacrificial do Direito: um estudo de René Girard, Martin Buber e Yeshua). Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP (A Palavra Como Construção do Sagrado: um estudo da Poesia em Heidegger e Osman Lins). Pós-graduado em Direito Civil (Os Direitos da Personalidade). Pós-graduado em Literatura Brasileira (A Palavra Multifacetada: do grau zero e outros graus da palavra). Formado em Filosofia e em Direito. Poeta e Membro da União Brasileira de Escritores - UBE. Autor dos livros: AMO, NO PEITO e ADSUM. Ex-membro da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/SP. Darsham (predicatore) e Mestre (Rav) da Sinagoga Sêh HaElohim (originada da Sinagoga Scuola (Beit HaMidrash), Lazio, Itália). Membro ativo da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação dos Advogados de São Paulo. Consultor e Palestrista. Professor de Direito Civil, Ética e Filosofia do Direito em São Paulo. Coordenador dos Cursos de Direito da Faculdade de Jaguariúna e da Faculdade Policamp, em SP.

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