Israel pode estar no começo de uma Guerra Civil separatista

Nos últimos anos o Estado de Israel têm passado por uma série de transformações na área social, tecnologica e cultural desde a sua fundação, algo natural baseado em sua orígem multi-nacional, mas o que não podemos ignorar é que após uma aparente acomodação e formação de elementos de identidade israelense única, após dois mil anos de cativeiro, que algo além vem acontecendo alí bem debaixo de nossos narizes.

Devido a um terrível acordo feito com o ex-Primeiro Ministro, David Ben Gurion, por décadas o setor ortodoxo judaico não teve uma participação ativa nas Forças de Defesa de Israel. Após décadas daquilo que era visto como exploração por parte dos setores mais religiosos, o público secular não aguentou mais a pressão econômica e social importa pela minoria ortodoxa que de uma certa forma, vivia quase as custas do setor secular.

A pressão exercida sobre os políticos levou aos últimos governos a repensarem a situação e a criar uma série de facilidades para condicionar o serviço militar ao setor mais religioso que exigia uma série de privilégios afim de atender as questões de rito e serviços religiosos durante o período de obrigação militar.

Além das facilidades criadas para o setor religioso, foram criadas forças adequada para capitar estes novos combatentes através das Yeshivat Hesder, ou seja, seminário da ordem, cujo objetivo é preparar os jovens para uma formação religiosa ortodoxa ao mesmo tempo em que se preparam para as Forças de Defesa de Israel, ou para servir e estudar ao mesmo tempo. Esta grande facilidade e apoio financeiro massivo, fez com que o número de religiosos no antro militar aumentasse muito, chegando hoje a cerca de 20%, número este que cresce a cada dia segundo os meios de comunicação em Israel.

Desde a última década, além do crescente número de militares nas Forças de Defesa de Israel, cresce o descontentamento dos antros mais radicais no judaísmo ortodoxo ou tradicional, em especial naqueles que são considerados Religiosos Nacionalistas. Nos últimos anos se iniciou uma tendência um tanto perigosa que poderá levar ao país em um verdadeiro caos caso o sistema de justiça não consiga por fim neste fenômeno. Nos último mêses, após diversos despejos ocorridos em diversos assentamentos ilegais na Judéia e Samaria, dentro do território sob administração palestina, cresce uma onde de operações que são chamadas de Tag Mehir, ou seja, o "Preço Pago", isto é, quando uma residência temporária ou uma fazenda temporária é desocupada, imediatamente, os mais radicais fazem uma operação contrária, seja o incêndio de uma mesquita, depredações de bases militares ou até mesmo de sepulcros de muçulmanos. Nesta onde de pequenos atentados judaicos, a mão das autoridades de Israel está um tanto inoperativa, pois o segredo entre os responsáveis é grande, além da cumplicidade da população judaica.

Estas pequenas operações de judeus radicais parece ser algo aparentemente inofensivo, mas não é, pois é assim que muitas guerras civis ou grande rebeliões já tiveram inícios, pois a efetividade dos meios de justiça é posta em cheque e a população acabar se voltando contra as instituições governamentais e apoiando os mais radicais, tudo vai depender com qual tipo de reação e providência os tribunais irão tomar.

Até mesmo na história judaica, após a conquista dos Macabeus, quando Judas já havia morrido, e a segunda geração também já havia deixado o poder, cresceu o descontentamento dos setores mais radicais, então os fariseus e saduceus, levaram o país, então, a duas guerras civis entre o período da dominação grega e a dominação romana. Os judeus, que então haviam conquistado um país independente, acabam por sua vez, a perdê-lo pelas mãos de Julio César que dividiu o país e Pompeu que o infraqueceu lançando-os as mãos da família de Herodes.

O que havia infraquecido então o Israel Hashemonaíta é o mesmo que pode infraquecer hoje o Estado de Israel, a pressão econômica, a divisão ideológica nas Forças de Defesa, um sistema de justiça impotente e um governo estagnado. Caso o governo e a justiça não tomem as devidas atitudes o mais rápido possível, esta pequena onda de Tag Mehir poderá se tornar um Tsunami, ou seja um maremoto que poderá afogar o país em uma guerra civil.

Minha oração é que a liderança de Israel seja sábia, pois dias difíceis estão por vir, e não somente pelo desafio que vem do Irã, mas de seus proprios filhos.

Diretor do Cafetorah

Comentários

Acho que os Israelenses jamais deveriam se dividir, já que conseguiram formar um País depois de tantas lutas, deveriam sim se abraçar em torno de todas as quetões relevantes que ora se apresentam. É uma pena que depois de tanto sacrifício isso possa a vir acontecer esperamos que não.