Filhos de Manassés

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Uma das grandes perguntas que se faz em termos históricos em relação ao Povo de Israel é o realmente teria ocorrido com as outras 9 tribos que viviam na região. As tribos do norte foram forçadas a abandonar a região por causa da invasão de Tiglath-Pileser III rei da Assíria que levou boar parte deles para o cativeiro na região da mesopotâmia e outra parte desceu rumo ao reino do sul, a Judeia, se misturando com os judeus, isto ocorreu em 750 AC.

Os judeus por sua vez e o restante do povo que vivia no sul de Israel, a Judeia, conseguiram manter sua autonomia e a realeza por muito mais tempo, sendo que a destruição tardou mais chegou em 586 AC quando Nabucodonosor II chegou a região, levando os nobres para o cativeiro e destruindo o Templo e a Cidade de Jerusalém. Foi neste período em que toda a nobreza perdeu seu direito de permanência na região e só retornaram 70 anos depois conforme está descrito nos livros de Esdras e Neemias. Com o retorno à Sião país tinha que ser reconstruído porém uma mistura de povos havia ocupado parte da administração local por conta do apoio que recebiam dos dominadores da Babilônia e da Pérsia, foi mais ou menos neste período que retornaram também os Israelitas, agora conhecidos como Samaritanos, da região de Cuta, também na mesopotâmia.

Mas a pergunta é, o que ocorreu com as tribos do outro lado do Jordão? Parece que está pergunta é muito difícil de responder, porém mesmo no período de Davi e Salomão as tribos do outro lado do Jordão ainda aparecem nos relatos bíblicos e seguem até mesmo pouco antes do exílio imposto pelos inimigos. O que se pensa é que por serem nômades em sua maioria, por cuidarem de gado, ovelhas e agricultura e não estarem envolvidos com a administração e a coleta de impostos na região, simplesmente não era do interesse dos dominadores expulso-los, mas mantê-los pagando impostos e por causa do fardo, muitos preferiram partir rumo ao oriente. Agora sem a existência de um lugar de culto central em Jerusalém, muitos provavelmente nunca mais voltaram e sua migração para oriente foi o que ajudou a formar os povos orientais da India, China e Japão, talvez você possa se questionar como pode ter isso ocorrido? Mas uma busca rápida nestas culturas pode revelar semelhanças muito grandes em suas tradições mais antigas, no Japão por exemplo existem uma festa que ocorrem em 15 de Abril de todos os anos, bem-querermos próximo da páscoa judaica e é chamado de Moriah No Kami que em Japonês quer dizer o Deus de Moriah. Na cerimônia são sacrificados 75 veados e feita uma procissão com uma arca semelhante a Arca da Aliança.

Segundo a tradição, Bnei Menashe (em hebraico: בני מנשה; lit. "Filhos de Manassés") é o nome dado a um grupo de mais de 9.000 pessoas que vivem nos estados de Manipur e Mizoram, na Índia (os chamados estados fronteiriços do nordeste), eles alegam descender de uma das Tribos Perdidas de Israel, a Tribo de Manassés. A alegação surgiu depois de um pentecostalista ter sonhado, em 1951, que a religião pré-cristã de seu povo era o judaísmo, e que sua terra natal original era Israel. Linguisticamente, os Bnei Menashe são tibeto-birmaneses, e, etnicamente, pertencem aos mizos, kukis e chins. São conhecidos na Birmânia como chin, porém de acordo com suas afiliações cada tribo refere-se a si mesmo como kuki, mizo ou chin. Cada indivíduo, no entanto, costuma se identificar mais comumente com sua subtribo, cada uma detentora de um dialeto e identidade própria.O grupo judaico foi chamado de Bnei Menashe pelo rabino Eliyahu Avichail, porque eles acreditam que o lendário ancestral kuki/mizo, Manmasi, seria Manassés, filho de José.

O Governo de Israel por sua vez aceitou os argumentos destes grupos étnicos desde que este se submetessem ao processo de conversão oficial do país, o Ultra Ortodoxo, da mesmo forma que foram submetidos os judeus da Etiópia da tribo Falash Mura, judeus no passado que haviam sido forçados a se converter ao cristianismo nas ondas missionárias do final do século XIX e início do século XX. Os Falash Mura foram trazidos em massa para Israel em duas grandes operações de resgate conhecidas como Operação Moisés (1984) e Operação Salomão (1991).

Este ano o Estado de Israel decidiu trazer da India todos os cerca de 9000 Bnei Menashe e repatriar-los.

 

 

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