Mais uma vez se inicia uma crise entre Israel e judaísmo da Diáspora por causa da decisão de última hora do Primeiro Ministro do Estado de Israel de retirar do parlamento, o Kinesset, a proposta que foi negociada ao longo de anos para a criação de um setor amplo e liberal onde homens e mulheres, judeus, judias e gentios pudessem ter acesso juntos ao Muro Ocidental. Além disso a proposta incluía o reconhecimento de conversões ao judaísmo pelas correntes reformistas e tradicionais que hoje é controlada somente pela corrente Ultra-Ortodoxa.

Segundo os meios de comunicação em Israel, 177 emissários da Agência Judaica na América do Norte estão alertando para os danos causados como resultado de decisões governamentais sobre o acordo em relação ao Muro das Lamentações e lei de conversão. Em uma carta enviada ao presidente da Agência Judaica Natan Sharansky eles escreveram: "a atitude do governo prejudica os interesses econômicos e de segurança de Israel e o propósito original da criação do estado judaico".

Estes são os mensageiros do Estado de Israel e no mundo judaico, em especial nas comunidades judaicas nos Estados Unidos que são as mais fortes no Mundo, seu clamor reflete a gravidade da crise. No geral a agência tem cerca de 300 representantes na América do Norte. "Nos últimos dias temos presenciado confusão, dor, sentimentos de raiva, indignação e choque expressos pelos membros das comunidades em que servimos em resposta a decisões do governo de congelar o acordo alcançado na sequência das negociações e muitos compromissos entre os representantes das várias correntes judaicas para estabelecer uma ampla e respeitável segunda esplanada no Muro Ocidental que seria administrada pelo governo e as correntes mais liberais do judaísmo. Após a promulgação da conversão, foi devolvido o monopólio sobre toda a conversão ao Rabinato Chefe deIsrael que é Ultra Ortodoxo", diz a carta aos apóstolos.

Será justa a decisão de Benjamin Netanyahu voltar atrás somente porque sente-se ameaçado pelos partidos ortodoxos e ultra-ortodoxos que querem manter o monopólio da vida judaica ignorando que a grande maioria dos judeus do mundo inteiro são liberais ou laicos? Parece que caso a decisão volte atrás, nós podemos estar diante de uma crise política sem precedentes e o atual primeiro ministro deverá reunir novas forças e novas alianças para seu governo não cair ou desfazer o governo antecipando as eleições.