Luto ou Evel em Hebraico אבל

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O Luto, em Hebraico Evel (אבל) é um dos quatro elementos do Ciclo da Vida Judaica(Maagal Haim) e é de grande importância na cultura e fé judaica. O Evel ou Luto é uma reação natural e humana para todos os seres humanos, portanto, parte do ciclo de vida.

O Evel é quando morre um dos sete parentes de uma pessoa: pai, mãe, irmão, irmã, esposa, filho, filha.

Na tradição judaica o luto é parte integra de todas as comunidades de Israel, o período do Luto se faz necessário para que a família passe por um processo natural de desligamento do ente querido. Ao contrário de civilizações pagãs onde muitos se desligavam instantaneamente de seus entes queridos, ou carregavam o luto por toda uma vida. Na cultura hebréia sempre houve o período de luto, mas era parte da vida lembrar os antepassados. Através desta lembrança e memória é que muitos relatos bíblicos chegaram até nós. Seus feitos foram passados de geração em geração e posteriormente compilados. Para o povo de Israel as pessoas não podem ser cremadas, há muitos motivos para isto, mas o principal é a diferenciação de tradições pagãs.

Além da diferenciação dos pagãos, a questão do luto e do sepultamento está detalhadamente descrita na Bíblia. A necessidade de enterrar um corpo é reconhecida desde os primeiros versículos da Bíblia.

No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.
Gênesis 3:19

Quando alguém falece, se realiza um funeral, ao enterrar os mortos, pronuncia-se o Kaddish oração em sua memória, normalmente em Aramaico, mas hoje em dia em Israel já se pronuncia em alguns casos em Hebraico.

A Oração é uma dedicatoria que está escrita em aramaico e significa "resignação" ou "santificação", isto é, recebendo a morte de Deus como parte da liderança do mundo.

Após o funeral inicia-se a Shiva que vem de "Sete" - sete dias em que luto é lembrado e se está sentado em casa, evitando os prazeres da vida, seus amigos e parentes vêm para confortá-los. No novo testamento podemos ler sobre o luto judaico na história da morte de Lázaro, e também podemos aprender com isso.

Havia um homem chamado Lázaro. Ele era de Betânia, do povoado de Maria e de sua irmã Marta. E aconteceu que Lázaro ficou doente.
Maria, sua irmã, era a mesma que derramara perfume sobre o Senhor e lhe enxugara os pés com os cabelos.
Então as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: "Senhor, aquele a quem amas está doente".
Ao ouvir isso, Jesus disse: "Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela".
Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro.
No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava.
Depois disse aos seus discípulos: "Vamos voltar para a Judéia".
Estes disseram: "Mestre, há pouco os judeus tentaram apedrejar-te e assim mesmo vais voltar para lá? "
Jesus respondeu: "O dia não tem doze horas? Quem anda de dia não tropeça, pois vê a luz deste mundo.
Quando anda de noite, tropeça, pois nele não há luz".
Depois de dizer isso, prosseguiu dizendo-lhes: "Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou até lá para acordá-lo".
Seus discípulos responderam: "Senhor, se ele dorme, vai melhorar".
Jesus tinha falado de sua morte, mas os seus discípulos pensaram que ele estava falando simplesmente do sono.
Então lhes disse claramente: "Lázaro morreu,
e para o bem de vocês estou contente por não ter estado lá, para que vocês creiam. Mas, vamos até ele".
Então Tomé, chamado Dídimo, disse aos outros discípulos: "Vamos também para morrermos com ele".
Ao chegar, Jesus verificou que Lázaro já estava no sepulcro havia quatro dias.
Betânia distava cerca de três quilômetros de Jerusalém,
e muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para confortá-las pela perda do irmão.
Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi encontrá-lo, mas Maria ficou em casa.
Disse Marta a Jesus: "Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido.
Mas sei que, mesmo agora, Deus te dará tudo o que pedires".
Disse-lhe Jesus: "O seu irmão vai ressuscitar".
Marta respondeu: "Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia".
Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá;
e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso? "
Ela lhe respondeu: "Sim, Senhor, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo".
E depois de dizer isso, foi para casa e, chamando à parte Maria, disse-lhe: "O Mestre está aqui e está chamando você".
Ao ouvir isso, Maria levantou-se depressa e foi ao encontro dele.
Jesus ainda não tinha entrado no povoado, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.
Quando notaram que ela se levantou depressa e saiu, os judeus, que a estavam confortando em casa, seguiram-na, supondo que ela ia ao sepulcro, para ali chorar.
Chegando ao lugar onde Jesus estava e vendo-o, Maria prostrou-se aos seus pés e disse: "Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido".
Ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam, Jesus agitou-se no espírito e perturbou-se.
"Onde o colocaram? ", perguntou ele. "Vem e vê, Senhor", responderam eles.
Jesus chorou.
Então os judeus disseram: "Vejam como ele o amava! "
Mas alguns deles disseram: "Ele, que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que este homem morresse? "
Jesus, outra vez profundamente comovido, foi até o sepulcro. Era uma gruta com uma pedra colocada à entrada.
"Tirem a pedra", disse ele. Disse Marta, irmã do morto: "Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias".
Disse-lhe Jesus: "Não lhe falei que, se você cresse, veria a glória de Deus? "
Então tiraram a pedra. Jesus olhou para cima e disse: "Pai, eu te agradeço porque me ouviste.
Eu sabia que sempre me ouves, mas disse isso por causa do povo que está aqui, para que creia que tu me enviaste".
Depois de dizer isso, Jesus bradou em alta voz: "Lázaro, venha para fora! "
O morto saiu, com as mãos e os pés envolvidos em faixas de linho, e o rosto envolto num pano. Disse-lhes Jesus: "Tirem as faixas dele e deixem-no ir".
Muitos dos judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que Jesus fizera, creram nele.
João 11:1-45

O judaísmo desenvolveu muitas tradições em torno do luto, como em quase todos os aspectos da vida. Estas tradições por sua vez influenciaram até mesmo o cristianismo como o velar do morto ao sétimo dia. No catolicismo por exemplo é a missa do sétimo dia. No judaísmo também vela-se após um mês(30 dias) e da mesma forma no catolicismo se pratica uma missa após este período.

Todos os anos, no aniversário da morte do indivíduo, é habitual para ir para o túmulo e pronunciar Salmos e o Kaddish em memória do falecido.

Infelizmente algumas pessoas que professam a fé cristã preferem não sepultar seus mortos, talvez para não ter trabalho e despesas, ou talvez por achar que D'us não precisa do corpo da pessoa. Os que fazem assim ignoram a quebra do processo natural descrito na Bíblia aqui:

E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.
Eclesiastes 12:7

 

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